Cansei de ser rocha


A minha vida toda, eu fui uma rocha. Forte. Inquebrável. Firme. Segura. Estável.

Mas eu, sinceramente, cansei de ser rocha. Cansei de suportar todas as intempéries, temperaturas e estações.

Cansei de ter de resistir ao calor, ao frio, às tempestades. De ser golpeada pela chuva e pelo sol escaldante.

Só dessa vez eu queria não ser uma rocha. Eu queria ser, talvez, uma geleira, a quem se permite derreter e se refazer conforme a época do ano.

Eu queria ser suave como a brisa, ou refrescante como a chuva. Queria ser volátil como a água, tão maleável, que viaja o mundo todo em diferentes formas e estados. Que vem em ondas, em correntezas, doce, salgada, mutável.

Eu cansei de ser uma rocha que, sempre no mesmo lugar, não se transforma, não se reinventa, não se recicla, não renasce em forma de flor.

Cansei de ser uma rocha, forte, que, porém, apenas existe.

Comente!