Saudade


Certa vez, Clarice Lispector disse que a saudade é quase como a fome.

Mas, eu, reles ninguém, ouso discordar.

Para mim, a saudade é mais que fome.

É quase como a gula.

Porque a fome é saciável.

Já a gula é uma compulsão.

Mesmo depois que mata a fome, o guloso continua comendo.

Por isso, quando sentimos saudade, às vezes nos tornamos gulosos.

Não queremos “matar a fome” somente.

Porque é como se nunca nos sentíssemos saciados.

Queremos sempre mais e mais e mais e mais.

Não queremos apenas “nos alimentar”.

Queremos devorar.

A saudade, portanto, não é mera falta.

É mais, muito mais.

É intensa, incontrolável, voraz.


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