Passa(n)do a limpo

De vez em quando, tiro um tempo para resgatar antigos rascunhos e passá-los a limpo.

Gosto de reler aqueles desabafos já quase esquecidos, geralmente escritos a lágrimas e – muitas vezes – regados a álcool. Sinceros ao extremo.

É interessante observar como nossa percepção dos fatos muda conforme o momento. Também é curioso ver que, em alguns casos, foi melhor que aquelas palavras tenham permanecido guardadas. Elas não trariam bem algum se chegassem a ver a luz. Mas também é importante que tenham sido registradas de alguma forma.

rascunho

Por outro lado, há aqueles rascunhos que ainda fazem sentido. Que, repensados, re-editados, podem ser recuperados. Podem ainda ser utilizados. Aqueles que, talvez, façam mais sentido agora do que quando foram escritos.

Cada frase – tenha sido escrita num editor de texto ou num guardanapo – sempre traz consigo memórias e sensações.

Cada texto, ainda que inacabado, ou mal escrito, tem seu valor. Faz parte de um contexto.

E assim como os textos vão sendo remodelados, também a vida vai sendo passada a limpo.

Seja dando cara nova ao que estava de lado, seja deixando algumas coisas definitivamente para trás, o exercício de passar a vida – e os rascunhos – a limpo deve ser constante.

Assim, quem sabe, um dia chega-se a uma grande obra-prima.

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